sexta, 12 de junho de 2020

Anorexia Nervosa

James E. Mitchell and Carol B. Peterson

FonteN Engl J Med 2020;382:1343-51

- Anorexia nervosa é uma doença psiquiátrica grave caracterizada por inanição e desnutrição, alta prevalência de condições psiquiátricas concomitantes, marcada resistência ou ausência de resposta ao tratamento, complicações clínicas frequentes, e risco significativo de morte.

- Existem dois subtipos: compulsão alimentar, purgação ou ambas; ou restrição alimentar apenas. Anorexia nervosa frequentemente progride de um subtipo para outro, particularmente do tipo restritivo para o subtipo compulsivo-purgativo.

- Indicações para hospitalização incluem profunda hipotensão ou desidratação, anormalidades eletrolíticas graves, arritmias ou bradicardia grave, risco de suicídio, e IMC ≤ 15kg/m2.

- Diversas abordagens psicoterapêuticas são usadas no manejo. Para crianças e adolescentes, tratamentos baseados na família são frequentemente utilizados.

- Medicamentos psicotrópicos são geralmente ineficazes em promover ganho de peso, reduzir sintomas depressivos ou prevenir relapsos em pacientes com anorexia nervosa.

Critérios diagnósticos:

- Restrição da ingesta de energia em relação às necessidades, levando a significativo baixo peso para a idade, sexo, desenvolvimento e saúde mental do/da paciente. Baixo peso significativo é definido por peso abaixo do mínimo normal.

- Medo intenso de ganhar peso ou engordar, ou comportamento persistente que interfira com ganho de peso, mesmo quando paciente tem baixo peso significativo.

- Distúrbio no sentido da percepção do próprio peso ou formato corporal, indevida influência do peso ou formato corporal na auto-avaliação, ou falta de percepção persistente da gravidade do baixo peso corporal.

Subtipos:

- Tipo restritivo: Durante os últimos 3 meses, o paciente não teve episódios recorrentes de compulsão ou purgação (vômito autoinduzido, abuso de laxativos, diuréticos ou enemas). Perda de peso é resultado primariamente de dieta, jejum, excesso de exercício ou todos estes métodos.

- Tipo compulsivo e purgativo: Durante os últimos 3 meses, o paciente realizou episódios recorrentes de comer compulsivo ou purgação (vômito autoinduzido, abuso de laxativos, diuréticos ou enemas).

Gravidade:

- Leve: IMC ≥17

- Moderado: IMC entre 16 e 16,99

- Grave: IMC entre 15 e 15,99

- Extremamente grave: IMC <15

James E. Mitchell and Carol B. Peterson

segunda, 18 de maio de 2020

Rivaroxabana ou Enoxaparina em Cirurgia Ortopédica-Não Maior

Samama CM, Laporte S, Rosencher N, et al.

Fonte: N Engl J Med 2020; 382:1916-1925

Resumo

Base teórica: Cirurgia ortopédica não-maior dos membros inferiores que resulta em redução transitória da mobilidade coloca os pacientes em risco de tromboembolismo venoso. Rivaroxabana pode ser não-inferior à enoxaparina em relação à prevenção de tromboembolismo venoso maior nestes pacientes.

Métodos: Neste estudo de não-inferioridade, internacional, paralelo, randomizado, duplo-cego, nós randomicamente alocamos pacientes adultos submetidos a cirurgia ortopédica não-maior dos membros inferiores, que foram considerados em risco para tromboembolismo venoso com base na avaliação dos investigadores, para receber rivaroxabana ou enoxaparina. O desfecho primário de eficácia de tromboembolismo venoso foi um composto de trombose venosa proximal ou distal sintomática, embolia pulmonar ou morte relacionada a tromboembolismo venoso durante o período de tratamento, ou trombose venosa profunda proximal assintomática ao final do tratamento. Análise para superioridade foi planejada se rivaroxabana provasse ser não-inferior à enoxaparina. Para todos os desfechos, múltiplas imputações foram utilizadas para os dados faltantes. Desfechos de segurança pré-especificados foram sangramento maior (fatal, crítico ou clinicamente aparente, ou no sítio cirúrgico com necessidade de intervenção) e sangramento clínico relevante não-maior.

Resultados: Um total de 3604 pacientes foram randomizados: 1809 pacientes foram alocados para receber rivaroxabana e 1795 para receber enoxaparina. Tromboembolismo venoso maior ocorreu em 4 de 1661 pacientes (0,2%) alocados para receber rivaroxabana e em 18 de 1640 pacientes (1,1%) no grupo enoxaparina (razão de risco com imputação múltipla 0,25; Intervalo de confiança de 95%, 0,09 a 0,75; P>0,001 para não inferioridade; P=0,01 para superioridade). A incidência de sangramento não diferiu significativamente entre os grupos rivaroxabana e enoxaparina (1,1 e 1,0%, respectivamente, para sangramento maior ou clinicamente relevante não-maior; 0,6% e 0,7%, para sangramento maior).

Conclusão: Rivaroxabana foi mais efetivo que enoxaparina na prevenção de eventos tromboembólicos durante o período de imobilização após cirurgia ortopédica não-maior dos membros inferiores.

 

Samama CM, Laporte S, Rosencher N, et al.