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Atualização científica

Relação entre Mortalidade e as Medidas da Pressão

Segunda-feira, 09 de Julho de 2018

Relação entre Mortalidade e as Medidas da Pressão Arterial Clínica e Ambulatorial

Banegas JR, Ruilope LM, de la Sierra A, et al.

 

Fonte: N Engl J Med 2018;378:1509-20.

 

Base teórica: A evidência da influência da pressão arterial ambulatorial no prognóstico deriva principalmente de estudos de base populacional e algumas investigações clínicas relativamente pequenas.  Este estudo avaliou as associações da medida da pressão arterial na clínica (pressão arterial clínica) e da pressão arterial ambulatorial em 24 horas com a mortalidade cardiovascular e por todas as causas em uma grande coorte de pacientes em cuidados primários.

Métodos: Nós analisamos os dados de uma coorte nacional, multicêntrica, baseada em registros, que incluiu 63.910 adultos recrutados de 2004 a 2014 na Espanha. A pressão arterial clínica e a pressão em 24h foram classificadas nas seguintes categorias: hipertensão sustentada (pressão arterial clínica elevada e pressão arterial ambulatorial em 24h elevada), hipertensão do jaleco-branco (pressão clínica elevada e pressão ambulatorial normal em 24h), hipertensão mascarada (pressão clínica normal e pressão ambulatorial elevada em 24h), e normotensão (pressão clínica e ambulatorial em 24h normais). Análise foi conduzida com regressão de Cox, ajustada para pressão clínica e pressão ambulatorial em 24 h e para confundidores.

Resultados: Durante uma média de seguimento de 4,7 anos, 3.808 pacientes morreram por qualquer causa, e 1295 destes pacientes morreram por causa cardiovascular. Em um modelo que incluiu ambas medidas de 24h e clínica, a pressão sistólica em 24 h foi mais fortemente associada com mortalidade por todas as causas (razão de risco, 1,58 para cada 1 desvio-padrão na pressão; intervalo de confiança [IC] de 95%, 1,56 a 1,60, após ajuste para a pressão arterial clínica) do que a pressão sistólica clínica (razão de risco, 1,02; IC 95%, 1,00 a 1,04, após ajuste para a pressão em 24h). Razão de risco correspondente para o aumento de 1 desvio-padrão na pressão foi de 1,55 (IC 95%, 1,53 a 1,57, após correção para pressão clínica e pressão diurna) para pressão arterial ambulatorial noturna, e 1,54 (IC 95%, 1,52 a 1,56, após ajuste para pressão clínica e pressão noturna) para a pressão ambulatorial diurna. Essas relações foram consistentes entre os subgrupos de idade, sexo, e estados como obesidade, diabetes, doença cardiovascular e tratamento anti-hipertensivo. Hipertensão mascarada foi mais fortemente associada com mortalidade por todas as causas (razão de risco 2,83, IC95% 2,12 a 3,79) que a hipertensão sustentada (razão de risco 1,80, IC95% 1,41 a 2,31) ou hipertensão do jaleco branco (razão de risco 1,79, IC95% 1,38 a 2,32). Resultados para a mortalidade cardiovascular foram semelhantes aos da mortalidade por todas as causas.

Conclusões: As medidas da pressão arterial ambulatorial foram um preditor mais forte de mortalidade por todas as causas e mortalidade cardiovascular do que as medidas da pressão arterial clínica. A hipertensão do jaleco branco não foi benigna, e a hipertensão mascarada foi associada com um risco mais elevado de morte que a hipertensão sustentada.